
“O Pré-sal da biomassa”
quinta-feira, 22 de julho de 2010
por Ricardo Audi Filho
Na América Latina, o Brasil é o pais da fotossíntese e ninguém duvida de seu potencial agrícola e da disponibilidade de terras agriculturáveis. Apesar disto, a Europa é o continente do uso da biomassa!
Após a Directiva 2001/77/EC de 20011, o uso de energia renovável nos 27 países da União Européia aumentou de forma expressiva. De 1997 à 2002 a Europa adicionou 7.9 milhões de TPE (TON de petróleo equivalente ), atingindo a marca de 99.8 milhões de TPE. Já entre 2002 e 2008, a adição chegou a 51.4 milhões de TPE, atingindo a marca de 151 milhões de TPE.
Quem foi responsável pelo grande aumento? A biomassa, que respondeu por 74% da adição de nova capacidade de energia renovável, respondendo por 67,7% dos renováveis total e 7,1% da matriz energética Européia.
Nós acreditamos que para atingir seu objetivo de usar 20% de energia renovável2 e 10% de bicombustíveis a Europa irá dobrar sua demanda por biomassa, atingindo algo como 300 milhões de TPE.
O que levou a um aumento tão expressivo? Nós acreditamos que foi a combinação de acesso a mercado, disponibilidade de resíduos, tecnologia e incentivos.
Qual o potencial do uso da biomassa no Brasil? O Brasil será o grande fornecedor mundial de energia renovável?
Nós da ATA acreditamos que a maior barreira para o aumento expressivo do uso da biomassa residual no Brasil é a falta de informação, seguido pela falta de uma abordagem one-stop-shop sobre o assunto, dado a fragmentação entre o originador da biomassa e o potencial usuário, principalmente quando comparamos esta nova cadeia com a do petróleo.
O Brasil é um dos únicos países que consegue criar uma arbitragem positiva com o uso da biomassa em relação à outras fontes de energia fóssil.
Mas qual é o potencial do uso de biomassa? Somente no Estado de São Paulo e considerando apenas a indústria da cana, enxergamos que dos mais de 90 milhões de toneladas de biomassa que as usinas processam, até 48 milhões ainda estão disponíveis, ou 20 milhões de TPE.
Temos um pré-sal da biomassa? Em um recente evento promovido pelo Deutsche Bank em São Paulo para discutir o potencial do Brasil nos renováveis, o ex-CEO da tão famosa British Petroleum questionou os brasileiros presentes do porquê o país investe tanto no pré-sal se tem tantas alternativas renováveis e sustentáveis….a pergunta calou a platéia…
Atualmente trabalhamos em diversos projetos para o aproveitamento de biomassa, como:
• Uso de resíduos do processamento de cereais para a produção de energia elétrica;
• Uso de biomassa alternativa na produção de painéis de fibra;
• Processamento de biomassa residual para seu posterior uso na produção de vapor;
• Usina de reciclagem de biomassa;
• Aumento da disponibilidade através da recuperação da biomassa;
• Estabelecimento de uma cadeia de suprimentos de biomassa;
• Estabelecimento de floresta cativa para produção de derivados de madeira e exportação de energia para Europa;
A biomassa, este recurso abundante no pais da fotossíntese, muitas vezes visto com pouca relevância, tem sua importância crescente na medida em que o problema de efeito estufa cresce.
Qual é a demanda em um projeto? Qual a disponibilidade? Que tipos de biomassa existem e em quais cadeias de valor ela é produzida? Em que forma está a disponibilidade? O quanto precisamos tratar a biomassa bruta para que ela seja utilizável? O quanto precisamos ajustar o projeto para que este consuma a biomassa tratada? Quais os riscos e custos envolvidos no consumo? Qual o valor da biomassa em longo-prazo?
Numa perspectiva empresarial, como dar respostas objetivas, bem conceituadas, bem quantificadas, que possam suportar ações de planejamento e a realização de projetos consistentes? Como pode ser feita uma boa avaliação de riscos estratégicos relacionados a este tema?
A ATA, que vem se dedicando há alguns anos ao tema das emissões de gases de efeito estufa, passa a aplicar suas competências também na área do aproveitamento de recursos naturais para a produção da biomassa, principalmente na perspectiva empresarial, apoiando a elaboração de projetos de mudança de combustível, no Brasil e no resto do mundo.
1http://eur-lex.europa.eu/LexUriServ/LexUriServ.do?uri=OJ:L:2001:283:0033:0040:EN:PDF 2http://ec.europa.eu/environment/climat/climate_action.htm









